Estética e Ética
- Sertão Humano

- 23 de jan. de 2022
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Atualizado: 30 de jul. de 2023
Estética deriva do termo grego Aisthesis, relacionado à percepção. Assim, a essência da palavra estética está na ideia de que ela é o que é possível perceber pelos estímulos sensoriais.
A origem dos sentidos, é o sentir.
Apesar de, na atualidade, o termo estética ser utilizado para estabelecer o campo do belo (harmônico), o que o fenômeno estético enuncia, é a sua íntima relação com ato de conhecer/perceber, intrínseco ao humano.
A estética é vivenciada na natureza e nos objetos. Para Dufrenne (2008, p.13) "a experiência estética se situa na origem, naquele ponto em que o homem, confundido inteiramente com as coisas, experimenta sua familiaridade com o mundo". A totalidade psíquica, a alma, se organiza e se apresenta por fenômenos estéticos. Às vezes só é possível assimilar uma situação psíquica, por meio da estética. A intuição é a capacidade de uma pessoa apreender e compreender os símbolos do self, pelo que é estético (SAFRA, 2005).
Por isso, o corpo é central ao trabalho de conversa com o profundo. A corporeidade, a sensorialidade e o psíquico acontecem, e são, ao mesmo tempo. Sensação, percepção, intuição e espontaneidade são contrapontos à alienação corporal e permitem que a pessoa constitua aspectos do seu self, podendo então existir no mundo.
O fenômeno estético é a porta aberta, que convida a pessoa à possibilidade de ser no mundo. É o encarnar o psiquismo. É fazer do corpo a sua morada. Fazer do mundo, a sua morada (SAFRA, 2005).
Pela experiência sensorial, a pessoa pode conhecer o que contribui para o seu vir a ser e para o seu pouso no mundo. E isso se trata de uma atitude ética consigo próprio.

DUFRENNE, M. Estética e filosofia. Trad. R. Figurelli. 3ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.
SAFRA, Gilberto. A face estética do self: teoria e clínica. 9ª ed. Aparecida: Ideias & Letras, 2005.





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